O Cronista

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O Cronista é antes de tudo um filósofo, um observador do tempo, uma testemunha ocular do que se realiza na rua, como foi João do Rio um dia. O cronista é espécie de voyeur de tudo. Escreve sobre tudo e sobre todos, é onipresente, tem olhos na sola do sapato.

O cronista é filho de Deus; em tempos de redes sociais tornou-se um paradoxo, está presente nas time lines, post e stories; é o comum, um bêbado, um idiota.

O cronista é um bruxo. No Brasil é um Exu, vê e ouve tudo, não é fofoqueiro e mantém a elegância e a descrição quando lhe é provocado.

Quando lhe é provocado também solta tinta na caneta e risca o verbo. Sim! Borra o papel com letras garrafais e narra o pitoresco, o carnaval, a missa e o discurso no púlpito até a ultima saliva sair da boca.

Sim! O Cronista é antes de tudo uma entidade, é onipresente, portanto, tome cuidado ao acenar na rua, você pode estar sendo observado.

Como bem definiu Machado em o Nascimento da Crônica, ela sempre deve ser iniciada com uma trivialidade, quer para expressar o calor do dia sobre a fronte, quer para abanar o leque sobre as bochechas no cabaré.

A crônica é o flagrante é um instante. Pode ser um besteira qualquer.

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